1. Como reter informações ao ler [0]

Para reter o que se lê, é necessário um método que force a interação com o significado do texto, como resumir parágrafos nas margens.

1.1. A técnica de anotações nas margens para retenção [0]

  1. Para reter o que se lê, é preciso entender e absorver o material para poder recordá-lo mais tarde [0].
    1. Isso exige um procedimento que force a interação com o conteúdo semântico, ou seja, o significado das palavras [1].
    2. O procedimento recomendado é uma versão específica de marginalia, que são notas escritas nas margens de um trabalho impresso [4].
  2. A técnica de anotações nas margens é diferente de apenas fazer anotações; é um procedimento específico que o professor usa e recomenda [14].
    1. Este método garante que o leitor se lembre e absorva o que lê [19].
    2. A leitura passiva, como dirigir no "piloto automático", não permite a retenção, pois não há foco nem pensamento ativo [20].
    3. É crucial ler com foco e pensamento, refletindo sobre as ideias do texto, em vez de apenas passar os olhos pelas palavras [26].
    4. Um procedimento que force o leitor a pensar sobre o material garante a retenção [29].
  3. O procedimento funciona da seguinte forma [33]:
    1. Leia o primeiro parágrafo e resuma-o em uma única frase na margem [33].
      1. Um resumo exige a compreensão do significado das frases e a identificação da ideia central, o que não acontece ao copiar o texto [37].
    2. Leia o segundo parágrafo e também o resuma em uma única frase na margem [41].
      1. Essas frases de resumo servem como referência rápida, evitando a releitura de todo o texto [43].
    3. Ao chegar ao terceiro parágrafo, escreva duas frases na margem [45]:
      1. A primeira frase resume os dois parágrafos anteriores (primeiro e segundo), forçando a conexão entre as ideias [48].
      2. A segunda frase resume o terceiro parágrafo [53].
    4. Para o quarto parágrafo, também escreva duas frases na margem [54]:
      1. A primeira resume todos os parágrafos anteriores (um, dois e três) [55].
      2. A segunda resume o quarto parágrafo [55].
    5. Continue este procedimento para o restante do texto, sempre resumindo todos os parágrafos anteriores em uma frase e o parágrafo atual em outra [56].
  4. Embora o método pareça demorado, ele é eficiente e garante a compreensão e retenção do material [63].
    1. Perder tempo lendo passivamente e não retendo informações é o verdadeiro desperdício de tempo [67].
    2. Este método, embora leve um pouco mais de tempo inicialmente, torna o tempo de leitura mais produtivo, resultando em compreensão e retenção [73].
  5. Uma demonstração comparativa de tempo e resultados mostra a eficácia do método [78]:
    1. Leitura passiva: 2 horas por leitura x 20 leituras = 40 horas, resultando em um nível D+ de compreensão. Com 25 horas de estudo intensivo no final do semestre, o resultado sobe para C+ (total de 65 horas) [79].
    2. Método de resumo nas margens: 3 horas por leitura x 20 leituras = 60 horas, resultando em um nível A- de compreensão. Com 2 horas de revisão das anotações no final do semestre, o resultado sobe para A (total de 62 horas) [87].
    3. O método de resumo nas margens é mais eficiente, levando menos tempo total e gerando notas muito melhores com menos estresse, e a prática leva à maior rapidez na aplicação da técnica [99].
  6. O professor usou este método desde o ensino médio e durante toda a sua carreira universitária, o que o ajudou a se destacar academicamente [106].

1.2. Exemplo prático da eficácia do método [117]

  1. Em um curso de economia na faculdade em 2006, o professor perguntou "O que é economia?" e o palestrante foi o único a responder corretamente [117].
    1. A resposta foi: "É o estudo da alocação de recursos escassos" [120].
    2. Um colega de classe perguntou como ele sabia a resposta, e ele explicou que era a primeira coisa dita no primeiro capítulo do livro [123].
  2. O palestrante havia lido o livro didático e, ao encontrar a definição de economia, parou para pensar sobre ela [125].
    1. Ele escreveu a definição e a reformulou com suas próprias palavras [127].
    2. Ele refletiu sobre o significado de "recursos escassos", usando exemplos como dinheiro e areia, e como eles são distribuídos [128].
    3. Essa reflexão ativa sobre o significado da definição o ajudou a absorver e reter a informação [146].
  3. A colega de classe, que também havia lido o capítulo, não se lembrava da definição, provavelmente porque leu passivamente, apenas passando os olhos pelas palavras [148].
  4. A capacidade de retenção de memória é incrível quando se pensa ativamente sobre as ideias [150].
    1. O palestrante lembrava a definição de economia 15 anos depois, sem ter planejado ou pesquisado para a palestra [152].
    2. A definição estava em um livro didático coescrito por Ben Bernanke, e o palestrante estava confiante em sua memória porque havia resumido e pensado sobre o material na época [161].

2. Por que a leitura dinâmica é uma farsa [167]

A leitura dinâmica é uma farsa porque estudos científicos mostram que ela não funciona para a compreensão e retenção de informações.

2.1. Métodos ineficazes de leitura dinâmica [167]

  1. O palestrante fez um curso de leitura dinâmica aos 18 anos, onde foram ensinadas técnicas absurdas [168].
    1. Uma técnica sugeria alternar a direção da leitura de cada linha (uma linha da esquerda para a direita, a próxima da direita para a esquerda) para não "desperdiçar tempo" movendo os olhos de volta ao início da linha [170].
    2. Outra técnica recomendava passar os olhos sobre a página em forma de "V" e depois passar para a próxima página [174].
  2. Essas técnicas são ineficazes porque a ordem das palavras nas frases é crucial para o significado, e é necessário ler todas as palavras em ordem para entender o que elas significam [178].

2.2. Evidências científicas contra a leitura dinâmica [181]

  1. A leitura dinâmica, mesmo com métodos sofisticados como a "apresentação visual serial rápida", não é eficaz [181].
    1. Dar um nome sofisticado a algo não o torna real ou eficaz [183].
  2. Cientistas testaram todos os métodos de leitura dinâmica e concluíram que são todos "fraudes" [187].
    1. Os estudos comparam grupos que recebem treinamento em leitura dinâmica com grupos que leem cuidadosamente ou apenas folheiam o texto [191].
    2. Os resultados mostram consistentemente que a leitura dinâmica, assim como a leitura superficial, não funciona para a compreensão e retenção [198].
  3. Estudos notáveis incluem um financiado pela NASA em 1999 e uma revisão abrangente de pesquisas de 2016 publicada na revista Psychological Science in the Public Interest [199].
    1. O estudo da NASA testou o método "PhotoReading" e concluiu que "Os resultados para todas as medidas não apresentaram benefícios do uso" da técnica [201].
    2. A revisão de 2016 examinou muitos outros estudos e encontrou os mesmos resultados para outros métodos de leitura dinâmica [202].

3. Conclusão: A importância de pensar sobre o que se lê [203]

A chave para a retenção de informações é o pensamento ativo e a interação com o material.

3.1. O poder do pensamento ativo na retenção [203]

  1. Um quiz rápido sobre a definição de economia ("o estudo da alocação de recursos escassos") demonstra que a lembrança ocorre quando se pensa ativamente sobre o conceito [203].
    1. A definição não foi escrita, apenas dita algumas vezes, mas a lembrança se deu porque o palestrante forçou o público a pensar sobre ela [208].
    2. O exemplo da areia como recurso escasso foi usado para ilustrar e fazer o público refletir sobre a definição de economia [212].
  2. Se o leitor é forçado a pensar sobre o que algo significa, ele o absorve e o lembra, o que é o funcionamento essencial da retenção de informações [214].