1. Desempenho do Mercado de Ações e Taxas de Juros [1]

O mercado de ações dos EUA mostrou resiliência em 2026, com o valor de mercado agregado aumentando, apesar do aumento das taxas de juros, impulsionado principalmente por setores como tecnologia e energia, embora os ganhos não tenham sido distribuídos uniformemente entre todas as ações.

1.1. Aumento das Taxas de Juros e Resiliência das Ações [1]

  1. As taxas de juros nos EUA e globalmente aumentaram em 2026, com a taxa do título do Tesouro subindo de 4,18% para mais de 5% [1].
    1. Em setembro, a taxa do título do Tesouro de 10 anos aumentou 0,54%, de 4,75% para 5,29%, o que é considerado um aumento incomum, colocando-o entre os 10% maiores aumentos mensais desde 1962 [33].
    2. Apesar do aumento das taxas, as ações têm sido surpreendentemente resilientes, com as empresas dos EUA reportando lucros muito mais altos [2].

1.2. Desempenho Desequilibrado do Mercado de Ações [43]

  1. O valor de mercado agregado das ações dos EUA aumentou cerca de 12% a 13% nos primeiros nove meses de 2026 [48].
    1. O setor de tecnologia teve um desempenho significativamente melhor do que outros setores, com um aumento de 24,5% [50].
    2. Outros setores com bom desempenho incluem energia (39%) e materiais (21%), enquanto serviços de comunicação, consumo discricionário e serviços públicos tiveram pouco ou nenhum crescimento [60].
    3. A análise excluiu empresas que abriram capital durante o ano, como a SpaceX, para evitar distorções no crescimento do valor de mercado, focando apenas nas empresas listadas publicamente em 31 de dezembro de 2025 [64].
  2. O mercado é "top-heavy" e desequilibrado, com os ganhos concentrados em poucas empresas [72].
    1. Apenas 52% das ações de tecnologia subiram em 2026, o que significa que 48% das ações de tecnologia caíram, apesar do aumento geral do setor [74].
    2. Em todo o mercado, aproximadamente metade das ações subiu e metade caiu, indicando que o ganho agregado de 12,25% não foi distribuído uniformemente [77].

1.3. Prêmio de Risco de Capital Implícito [83]

  1. O prêmio de risco de capital implícito (ERP) é uma medida do retorno esperado para o investimento em ações, semelhante ao rendimento até o vencimento de um título [83].
    1. Para o S&P 500 no início de outubro de 2026, o retorno esperado era de 8,99% [88].
    2. O ERP é calculado subtraindo a taxa livre de risco (taxa do título do Tesouro) do retorno esperado das ações [109].
    3. O ERP foi de 3,7% (ou 3,92% se o Tesouro dos EUA for considerado arriscado), um valor mais baixo do que o normal, mas não drasticamente [111].
  2. Um ERP baixo pode indicar que os investidores estão exigindo um preço muito baixo pelo risco, como visto no pico da bolha das pontocom em 1999, quando o ERP era de 2% [114].
    1. O retorno total esperado das ações aumentou em 2026, mas não tanto quanto a taxa do título do Tesouro, o que resultou em um ERP implícito mais baixo [118].

2. Impacto do CAPEX em IA nas Demonstrações Financeiras [122]

O investimento massivo em CAPEX em IA (despesas de capital em inteligência artificial) está transformando as demonstrações financeiras das empresas, aumentando o capital investido e os lucros agregados, mas reduzindo o fluxo de caixa disponível para os acionistas.

2.1. Investimento Massivo em CAPEX em IA [122]

  1. As seis maiores empresas de hiperescala (Meta, Alphabet, Amazon, Microsoft, Coreweave e Oracle) já investiram coletivamente 2 trilhões de dólares em CAPEX em IA [122].
    1. Incluindo outros participantes e atualizando os números, o investimento total se aproxima de 3 trilhões de dólares, com compromissos que podem chegar a 8 a 10 trilhões de dólares [124].
    2. Essas empresas são chamadas de "construtoras" de IA, pois estão fazendo os investimentos [128].

2.2. Efeitos Contábeis do CAPEX em IA [130]

  1. O CAPEX em IA aparece no balanço patrimonial como um ativo, aumentando o capital investido [130].
    1. O financiamento desse CAPEX vem de dívida (cerca de um terço) e capital próprio (dois terços), especialmente para as grandes empresas de hiperescala que possuem negócios geradores de caixa, como a Alphabet com 175 bilhões de dólares de seu negócio de publicidade [133].
  2. No ano em que o CAPEX é realizado, os lucros não aumentam; eles diminuem devido à amortização do CAPEX [141].
    1. Embora a amortização possa ser distribuída por muitos anos, o que reduz o impacto imediato nos lucros, ela não os aumenta [144].
    2. Os lucros gerados pelo CAPEX em IA ainda são incipientes e não estão sendo amplamente observados [148].
  3. Os fluxos de caixa diminuem porque o CAPEX representa um gasto de dinheiro, independentemente de como a amortização afeta os lucros [150].

2.3. Impacto nos Fornecedores de Arquitetura de IA [155]

  1. O CAPEX em IA para as "construtoras" se torna receita para os fornecedores da arquitetura de IA [161].
    1. Os principais beneficiários incluem empresas de chips (Nvidia, Taiwan Semiconductors), equipamentos de rede (Broadcom), empresas de energia (construção de usinas) e o setor imobiliário (data centers) [156].
  2. Essas receitas se transformam em lucro líquido para os fornecedores, com empresas como a Nvidia apresentando margens líquidas muito altas (50-60%) [165].
  3. O alto lucro líquido dos fornecedores também se traduz em um fluxo de caixa livre para o capital próprio muito maior [169].

2.4. Efeito Agregado do CAPEX em IA [170]

  1. No agregado, considerando tanto as "construtoras" quanto os fornecedores, o CAPEX em IA tem os seguintes efeitos:
    1. Os lucros coletivos das empresas aumentam porque as altas margens líquidas dos fornecedores superam a amortização das "construtoras" [171].
    2. Os fluxos de caixa coletivos das empresas diminuem, pois o investimento de trilhões de dólares em CAPEX drena o caixa disponível [176].
    3. O capital investido agregado aumenta, o lucro líquido agregado pode cair (apesar do aumento dos lucros dos fornecedores) e os fluxos de caixa agregados são menores [181].

2.5. Evidências dos Dados Agregados [183]

  1. O CAPEX agregado das empresas de capital aberto nos EUA aumentou 36% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o segundo trimestre de 2025, e 26% nos últimos 12 meses em comparação com o ano calendário de 2025 [195].
    1. O setor de tecnologia, em particular, viu um aumento de 80% no CAPEX no segundo trimestre de 2026 em relação ao ano anterior [197].
    2. Esses dados são incompletos, pois excluem empresas privadas (como Anthropic e OpenAI) e parte do CAPEX fora do balanço [187].
  2. O aumento do CAPEX se reflete em valores contábeis mais altos:
    1. O capital próprio contábil aumentou 13% (cerca de 1,8 trilhão de dólares) [206].
    2. A dívida aumentou 8% (cerca de 1,9 trilhão de dólares) [208].
    3. O capital investido total aumentou 13% (cerca de 3,7 trilhões de dólares) [209].
    4. Mais financiamento para o CAPEX veio de dívida do que de capital próprio no agregado [213].
  3. Os lucros agregados aumentaram 49% nos últimos 12 meses em comparação com o ano calendário de 2025, e também 49% no segundo trimestre de 2026 em relação ao segundo trimestre de 2025 [216].
    1. Esse aumento é impulsionado pelos lucros dos fornecedores de CAPEX em IA, que estão compensando a amortização das "construtoras" [219].
    2. No entanto, menos da metade das empresas de tecnologia reportaram lucros mais altos, indicando que os ganhos estão concentrados em um subconjunto de empresas [224].
  4. Os fluxos de caixa disponíveis para os acionistas diminuíram [229].
    1. Os dividendos agregados aumentaram cerca de 5-6% nos últimos 12 meses, para 857 bilhões de dólares [235].
    2. As recompras de ações aumentaram cerca de 8% nos últimos 12 meses, para 1,3 trilhão de dólares, mas com uma ligeira queda no segundo trimestre de 2026 em relação ao ano anterior [239].
    3. O crescimento dos dividendos e recompras é significativamente menor do que o crescimento dos lucros, o que significa que uma porcentagem menor dos lucros está sendo devolvida aos acionistas (cerca de 63%) [245].
    4. Isso reflete que o CAPEX em IA está drenando os fluxos de caixa que, de outra forma, teriam ido para os acionistas [252].

3. Cenários Futuros e Estratégias de Investimento em IA [258]

O futuro da IA apresenta dois cenários principais – um boom ou um fracasso – cada um com implicações distintas para as empresas e os investidores, exigindo diferentes abordagens de investimento.

3.1. Cenário de Boom da IA [258]

  1. Se o boom da IA for real e houver um grande mercado, espera-se que os lucros das "construtoras" de IA aumentem ao longo do tempo [260].
    1. No entanto, um aumento de lucros de 50 bilhões de dólares pode não ser suficiente para justificar um investimento de 2 a 5 trilhões de dólares, pois o capital precisa gerar um retorno que cubra seu custo de capital (por exemplo, 8% de 5 trilhões é 400 bilhões de dólares) [266].
    2. Se as empresas não conseguirem gerar retornos suficientes, o valor de mercado terá que ser reduzido, mesmo que os contadores não o façam imediatamente [270].
  2. Os fluxos de caixa das "construtoras" devem melhorar à medida que os lucros aumentam e o CAPEX se estabiliza [272].
  3. As "construtoras" de IA se tornarão negócios intensivos em capital, uma mudança significativa em relação ao seu modelo de negócios anterior de "capital leve e alto crescimento" [274].

3.2. Cenário de Fracasso da IA [278]

  1. Se o boom da IA não se concretizar, os lucros esperados das "construtoras" de IA nunca se materializarão [279].
    1. Os contadores podem ter que fazer baixas contábeis de trilhões de dólares em CAPEX, resultando em grandes perdas [281].
    2. Se o CAPEX em IA foi financiado desproporcionalmente com dívida, as empresas podem enfrentar problemas de risco de truncamento, incapazes de fazer pagamentos de dívida, levando a dificuldades financeiras para as empresas e seus credores [284].
  2. Os fluxos de caixa podem eventualmente se recuperar, mas levará tempo, e o mercado punirá as empresas pela má gestão e pela falta de resultados após grandes investimentos [286].

3.3. Quatro Estratégias de Investimento [291]

  1. Apostar tudo no sucesso da IA: Acreditar que a IA causará uma disrupção total e rápida, investindo em empresas que se beneficiarão e vendendo a descoberto as que serão interrompidas (como a tese de Leo Ash Brenner, mas sem a alavancagem excessiva) [292].
  2. Seguir o consenso do mercado: Acreditar que a IA terá sucesso, mas levará mais tempo e será menor do que os otimistas preveem, o que já está precificado no mercado (comprar um fundo de índice, como o S&P 500) [302].
  3. Ser cauteloso com a IA: Acreditar que a IA terá sucesso, mas com muitos obstáculos e menos lucratividade do que o mercado espera, o que significa manter o dinheiro em caixa e esperar para ver como a situação se desenrola [308].
  4. Apostar no fracasso da IA: Acreditar que a história da IA é uma farsa e que o mercado vai desabar [313].
    1. Vender todas as ações e investir em dinheiro ou outros ativos como criptomoedas [315].
    2. Vender a descoberto as empresas que se beneficiam da IA e comprar as que deveriam ser interrompidas, esperando lucrar com o colapso [317].

3.4. Abordagem Pessoal do Investidor [321]

  1. O investidor adota uma abordagem mista:
    1. A maior parte do portfólio segue o consenso do mercado, incluindo investimentos em grandes empresas de CAPEX em IA, assumindo que o mercado não vai colapsar [322].
    2. O dinheiro novo que entra no portfólio é mantido em caixa, pois o investidor não está totalmente convencido da tese da IA para investir mais [326].
    3. O investidor está disposto a "deixar dinheiro na mesa" (por exemplo, vendendo ações da Nvidia que podem continuar a subir) para garantir tranquilidade [328].
  2. A decisão de investimento deve depender não apenas da visão sobre a IA, mas também do que permite ao investidor "dormir bem à noite" [331].
  3. Para os mais jovens, o capital humano (o valor presente dos salários futuros) é um componente chave do portfólio, e é importante considerar o impacto da IA nesse capital [332].
    1. Se a IA ameaça um negócio ou indústria, é crucial investir em áreas menos afetadas pela IA para se proteger contra a perda de emprego [335].