1. Reunião do Fed e o Desafio da Inflação [1]

thumbnail Líderes de bancos centrais discutem a inflação global, as ameaças ao crescimento econômico e o delicado equilíbrio entre combater a inflação e evitar uma recessão.

1.1. O Cenário Atual da Inflação Global [15]

  1. A inflação está de volta, e os bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu, o Federal Reserve e o Banco da Inglaterra, estão apertando a política monetária pela primeira vez desde antes da crise financeira de 2008. [15]
  2. Os formuladores de políticas enfrentam um desafio difícil: precisam combater a inflação sem causar uma recessão. [17]
  3. Estamos entrando em um novo capítulo para a política monetária, diferente dos últimos 15 anos, que foram marcados por inflação persistentemente baixa. [24]
  4. As instituições financeiras representadas pelos palestrantes detêm quase 20 trilhões de dólares em ativos e mantiveram taxas de juros muito baixas, ou até negativas, por quase uma década. [30]
    1. Agora, eles têm a difícil tarefa de reverter essas políticas, o que pode ter mudado permanentemente a estrutura dos mercados globais. [31]

1.2. Mudanças Estruturais e o Futuro da Inflação [36]

  1. Augustin Carstens, do Banco de Compensações Internacionais, destaca que os bancos centrais de hoje estão muito mais preparados para combater a inflação do que nos anos 1970, devido a estruturas institucionais e monetárias mais fortes. [37]
    1. Ele observa que os bancos centrais têm uma forte capacidade de analisar informações e reagir rapidamente às mudanças. [45]
    2. A transição de um medo de deflação para um medo de inflação foi muito rápida, agravada pela crise russa, e a política monetária, por mais ágil que seja, não pode responder totalmente a isso sem consequências. [47]
    3. Carstens está otimista de que a força dos bancos centrais atuais os ajudará a atingir seus objetivos. [51]
  2. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve dos EUA, concorda com o progresso institucional, mas ressalta que o mundo passou por um período de forças desinflacionárias (como globalização e envelhecimento da população) que mantiveram a inflação sob controle. [52]
    1. Desde a pandemia, a economia é impulsionada por forças muito diferentes, e os bancos centrais estão aprendendo a lidar com isso para manter a estabilidade de preços e o máximo emprego. [54]

1.3. Novas Forças Inflacionárias e o Impacto na Economia [61]

  1. Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, não acredita que a inflação voltará a ser baixa, pois a pandemia e o choque geopolítico atual (guerra na Ucrânia) liberaram forças que mudarão o cenário econômico. [61]
    1. Ela aponta para o desemprego recorde na zona do euro e expectativas de inflação muito mais altas. [63]
    2. A globalização, a quebra das cadeias de suprimentos e a logística "just-in-time" estão mudando, e a localização da produção e dos serviços será determinada por fatores além do custo, como considerações geográficas e políticas. [65]
    3. A transição verde na Europa também mudará drasticamente a forma como a economia opera, gerando impactos inflacionários ou deflacionários ainda a serem medidos. [72]
  2. Andrew Bailey, governador do Banco da Inglaterra, concorda que estamos em um ponto de virada estrutural. [75]
    1. A COVID-19 está deixando um legado estrutural nos mercados de trabalho, e a situação de segurança na Europa está afetando as cadeias de suprimentos e a resiliência dos sistemas. [81]
    2. As mudanças climáticas também são um fator sério que afeta o mundo e exigem compreensão e resposta dos bancos centrais. [89]
    3. Um crescimento mais lento é uma consequência inevitável do combate à inflação, e a possível divisão do mundo em blocos geopolíticos e econômicos, juntamente com o envelhecimento da população, pode levar a menor produtividade e crescimento. [97]

2. Estratégias dos Bancos Centrais para Combater a Inflação [102]

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Os bancos centrais estão usando aumentos de juros e outras ferramentas para moderar a demanda e permitir que a oferta se recupere, visando a estabilidade de preços.

2.1. A Resiliência da Economia dos EUA e a Política Monetária [102]

  1. Jerome Powell afirma que a economia dos EUA está em boa forma para suportar a política monetária. [103]
    1. A economia cresceu mais de 5,5% no ano anterior, e o objetivo é moderar esse crescimento para um caminho mais sustentável. [105]
    2. As famílias estão financeiramente fortes, com poupanças excedentes, e as empresas têm baixas taxas de inadimplência e muito dinheiro em caixa. [109]
    3. O mercado de trabalho está muito forte, com alto crescimento de empregos. [113]
  2. O objetivo do Fed é moderar o crescimento para que a oferta (de trabalhadores ou cadeias de suprimentos) possa se recuperar e equilibrar a oferta e a demanda, o que é essencial para reduzir a inflação. [116]
    1. A política monetária é uma ferramenta "bruta", mas o Fed acredita que pode atingir a meta de 2% de inflação mantendo um mercado de trabalho forte. [122]
    2. A guerra na Ucrânia tornou o caminho mais difícil, adicionando pressões inflacionárias sobre alimentos, energia e produtos químicos. [128]

2.2. O Desafio da Europa com a Inflação e a Abordagem do BCE [130]

  1. Christine Lagarde destaca que o choque energético é um fator importante da inflação na Europa, exacerbado pela guerra na Ucrânia, que impactou os preços de energia e alimentos. [130]
    1. A economia europeia também enfrenta choques de oferta e uma forte recuperação impulsionada por serviços, com baixo desemprego e poupanças significativas. [134]
    2. A política fiscal atual é de cerca de 1% do PIB, e o BCE espera que as autoridades fiscais atuem de forma direcionada e temporária para apoiar os mais vulneráveis. [140]
  2. O BCE adotará uma abordagem "gradual, mas opcional" para a política monetária. [144]
    1. Mover-se gradualmente é apropriado em tempos de alta incerteza, mas à medida que a incerteza diminui, o BCE será menos gradual e dará mais peso à opcionalidade. [146]

2.3. Ações dos Bancos Centrais e a Prevenção de Ciclos Viciosos [149]

  1. Augustin Carstens observa que todos os bancos centrais estão agindo de forma "enérgica e determinada" para combater a inflação, ajustando as taxas de juros e apertando as condições financeiras globais. [151]
    1. Ele enfatiza que a inflação se tornou um fenômeno global, mas cada país enfrenta dinâmicas diferentes, e não há uma solução única para todos. [158]
    2. O objetivo é evitar que a alta inflação se enraíze e crie ciclos viciosos, especialmente nos mercados de trabalho. [164]
  2. Carstens usa o exemplo dos mercados emergentes, que aprenderam com crises passadas e agiram cedo e com força para aumentar as taxas de juros, mantendo suas taxas de câmbio estáveis e evitando uma fonte tradicional de inflação. [170]
    1. Isso mostra que diferentes bancos centrais podem agir em ritmos diferentes, dependendo de suas circunstâncias. [178]
  3. Andrew Bailey explica que o Banco da Inglaterra está sendo atingido por um grande choque de renda real vindo de fora, com incerteza sobre sua escala e impacto. [184]
    1. A política monetária tem um papel importante em lidar com os efeitos de segunda ordem da inflação, como a formação de preços e salários. [187]
    2. O Banco da Inglaterra agirá com mais força se a persistência da inflação e seus efeitos de segunda ordem aumentarem, mantendo as opções em aberto para futuras reuniões. [191]
    3. Bailey não se inclina para um aumento de 50 pontos-base na próxima reunião, pois a política é definida reunião a reunião, e "sempre há outra reunião". [200]

3. A Relação entre Bancos Centrais e Mercados [204]

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Os bancos centrais buscam a estabilidade de preços e o máximo emprego, e embora monitorem os mercados, seu foco principal é a economia real, não a manipulação dos mercados.

3.1. Alinhamento e Condicionalidade das Expectativas do Mercado [204]

  1. Jerome Powell observa que os mercados e os participantes do mercado estão sempre tentando antecipar as ações dos bancos centrais, e os movimentos do mercado são construtivos quando refletem um entendimento correto das intenções do Fed. [206]
    1. Desde o outono passado, quando o Fed começou a aumentar as taxas, os mercados têm estado bem alinhados com as expectativas do Fed. [210]
    2. As projeções do Fed para a taxa de política monetária (entre 3% e 3,5% até o final do ano e entre 3,5% e 4% para o próximo ano) estão amplamente alinhadas com os preços do mercado. [212]
  2. A orientação futura dos bancos centrais é sempre condicional aos eventos que ocorrem entre o momento da orientação e o evento real. [215]
    1. Powell não acredita que os mercados lideram e os bancos centrais seguem; na verdade, ele vê o oposto. [216]
    2. O aperto substancial das condições financeiras, com apenas três reuniões de aumento de taxas, mostra que o mercado está entendendo e achando crível o que o Fed está comunicando. [219]
  3. Christine Lagarde concorda que o BCE está em um caminho de normalização, que é gradual, flexível e dependente de dados. [226]
    1. Os mercados entendem plenamente as ações e o caminho do BCE, e a diminuição da incerteza ajudará na opcionalidade futura. [231]

3.2. Interpretação dos Dados do Mercado e o Elemento "Arte" na Política Monetária [233]

  1. Andrew Bailey explica que, embora os mercados precifiquem as ações dos bancos centrais, há uma diferença entre as curvas de probabilidade do mercado (que incluem o risco de alta) e as pesquisas de mercado (que mostram um caminho de taxas mais baixo). [233]
    1. Essa diferença é importante para entender o risco percebido. [239]
  2. Os bancos centrais reconhecem que a política monetária não é uma ciência exata; ela envolve um elemento de "arte". [241]
    1. Os modelos têm falhas, especialmente em pontos de virada. [242]
  3. Jerome Powell enfatiza que o foco dos bancos centrais é implementar a política necessária para atingir os objetivos para a economia real, não manipular os mercados. [245]

4. Volatilidade do Mercado e a Necessidade de Compreender a Inflação [252]

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A volatilidade do mercado é uma resposta às circunstâncias imprevistas, e os bancos centrais estão trabalhando para entender melhor a inflação e evitar que ela se torne persistente.

4.1. Reajustes do Mercado e a Resposta dos Bancos Centrais [252]

  1. Augustin Carstens explica que os mercados estão respondendo às circunstâncias e se ajustando a notícias difíceis de antecipar. [253]
    1. Após um longo período de baixas taxas de juros e expectativas de altos lucros, os mercados estão ajustando grandes posições e portfólios. [256]
    2. Apesar das fricções e condições de negociação mais difíceis, os bancos centrais têm conseguido implementar ajustes de política monetária sem grandes interrupções no mercado. [263]
  2. Os bancos centrais dedicam muito tempo à análise dos mercados para entender o impacto das mudanças na perspectiva da inflação e na estabilidade financeira. [274]
    1. Pontos de virada são os mais difíceis de prever, tanto para os bancos centrais quanto para os mercados. [276]
    2. É essencial que os bancos centrais olhem além das flutuações de curto prazo para extrair informações e focar em seus objetivos de longo prazo de baixa inflação. [280]

4.2. O Risco de Inflação Persistente e a Prevenção de um Regime de Alta Inflação [283]

  1. Jerome Powell aborda a preocupação de que o Fed possa exagerar no combate à inflação, mas ele não concorda que esse seja o maior risco. [283]
    1. O maior erro seria falhar em restaurar a estabilidade de preços e permitir que a inflação se torne persistente. [290]
    2. O risco é que, devido a múltiplos choques, a economia transite para um regime de alta inflação. [296]
    3. O trabalho do Fed é "literalmente impedir que isso aconteça", não permitindo uma transição de um ambiente de baixa para alta inflação. [297]
  2. A "desancoragem" das expectativas de inflação de longo prazo é o mesmo conceito de transição para um regime de alta inflação. [299]
    1. Embora as expectativas de inflação ainda estejam bem ancoradas, o Fed não pode presumir que permanecerão assim indefinidamente diante de uma inflação alta persistente. [301]
    2. O Fed está trabalhando arduamente no lado da demanda, que pode influenciar, para equilibrar a oferta e a demanda. [305]
    3. Se as expectativas de inflação de longo prazo começarem a se desancorar seriamente, o Fed estaria atrasado, e o custo de lidar com a inflação seria muito maior. [310]
    4. O Fed precisa agir rapidamente para entrar em território restritivo e evitar essa situação. [312]

5. Perspectivas Regionais e a Evolução da Compreensão da Inflação [314]

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Os bancos centrais estão aprendendo a lidar com uma nova forma de inflação impulsionada por choques de oferta e reconhecem a necessidade de entender melhor a oferta agregada e as dinâmicas de preços.

5.1. Situação da Inflação na Europa e no Reino Unido [314]

  1. Christine Lagarde, sobre a situação na Europa, aguarda os números consolidados de inflação da zona do euro em 1º de julho, mas reitera que a missão do BCE é garantir a estabilidade de preços em 2%. [314]
    1. As previsões atuais mostram a inflação acima da meta durante todo o período de projeção. [319]
    2. O BCE monitorará de perto a energia, a guerra, as negociações salariais e as expectativas de inflação para trazê-la de volta à meta. [322]
  2. Andrew Bailey, do Banco da Inglaterra, concorda com a preocupação sobre a evolução da guerra e do fornecimento de energia, que são os principais riscos. [327]
    1. Ele observa uma mudança na composição da inflação, de choques de oferta de bens pós-COVID para choques de energia e alimentos relacionados à guerra Rússia-Ucrânia. [331]
    2. A inflação no Reino Unido deve aumentar ainda mais este ano devido ao sistema de teto de preços de energia doméstica. [334]

5.2. Reavaliando a Inflação e a Necessidade de Novas Ferramentas [337]

  1. Augustin Carstens enfatiza a importância de avaliar por que as previsões de inflação estavam erradas, destacando que a energia e os gargalos foram subestimados. [339]
    1. Ele reconhece que a "caixa de ferramentas" tradicional não foi suficiente para prever a inflação atual. [354]
    2. Há uma necessidade de entender melhor as relações ocultas, a formação das expectativas de inflação e as não linearidades nos mercados de trabalho. [358]
    3. Os pontos de virada são muito difíceis de prever com os modelos existentes. [359]
  2. Carstens sugere que é preciso trabalhar para entender melhor o que está acontecendo com a inflação "por baixo do capô". [361]
    1. Isso inclui entender por que alguns preços se tornam mais contagiosos, por que alguns choques são mais duradouros, o que determina a frequência das revisões de preços das empresas e o impacto das novas tecnologias (como Amazon) nas medições do IPC. [362]
    2. A acumulação de informações e o desenvolvimento de indicadores antecedentes ajudarão a calibrar a resposta. [365]
    3. As pressões inflacionárias atuais são muito diferentes das dos anos 1970, e os bancos centrais precisam manter a agilidade analítica e os instrumentos certos. [367]

5.3. A "Caixa Cinza" da Oferta Agregada e os Choques de Oferta [370]

  1. Augustin Carstens acredita que os economistas precisam entender melhor a oferta agregada, que ele descreve como uma "caixa cinza" (não uma caixa preta, mas complexa). [373]
    1. A economia tem muito conhecimento sobre a demanda agregada, mas a oferta agregada, incluindo os mercados de trabalho, é muito complexa e muitas vezes é considerada um dado. [375]
  2. Andrew Bailey concorda que a palavra "transitório" foi desacreditada porque se baseava na ideia de um único choque de oferta. [382]
    1. No entanto, o mundo tem enfrentado uma série de choques de oferta (COVID, problemas na cadeia de suprimentos, energia e guerra), sem "intervalo de ar" entre eles. [386]
    2. Essa série de choques alimenta as expectativas, tornando-os não transitórios no sentido tradicional. [389]
  3. Jerome Powell admite que os bancos centrais agora entendem melhor o quão pouco realmente entendiam. [390]
    1. As previsões de inflação estavam erradas porque os modelos tradicionais, como a curva de Phillips, não conseguiam prever a alta inflação. [392]
    2. O que faltava era a compreensão de um colapso do lado da oferta, algo ausente nos dados por 40 anos. [394]
    3. A forte demanda encontrou uma curva de oferta "vertical", resultando em grandes aumentos de preços. [396]
    4. Powell sugere que esse processo poderia funcionar ao contrário, com a demanda diminuindo e a inflação caindo mais rapidamente do que o esperado. [400]

6. Implicações da Política Monetária e o Papel dos Governos [402]

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A política monetária busca moderar a demanda para equilibrar a oferta, enquanto os governos devem focar em investimentos que aumentem a capacidade produtiva da economia.

6.1. O Impacto da Política Monetária na Demanda e a Recuperação Pós-COVID [402]

  1. Christine Lagarde observa que a economia está passando por uma "oscilação de substituição" pós-COVID. [402]
    1. Durante a pandemia, as pessoas pararam de usar serviços e se voltaram para bens (como carros e bicicletas ergométricas). [403]
    2. Agora, há um retorno aos serviços (restaurantes, hotéis, transporte, teatros), que está impulsionando a recuperação. [405]
  2. O apresentador explica que os mercados sobem quando as coisas "não pioram", pois as notícias são precificadas instantaneamente. [423]
    1. A recuperação do mercado durante a COVID-19 é um exemplo disso: as coisas não estavam necessariamente melhorando, mas também não estavam piorando. [429]
  3. A política monetária, ao aumentar as taxas de juros, torna o gasto menos desejável, incentivando a poupança e permitindo que a oferta alcance a demanda. [537]
    1. Os bancos centrais só podem influenciar a demanda, não a oferta. [536]

6.2. O Dólar Forte e os Desafios dos Mercados Emergentes [414]

  1. Augustin Carstens explica que um dólar muito forte afeta muitos mercados emergentes, que enfrentam condições financeiras globais apertadas. [418]
    1. No entanto, os mercados emergentes estão mais bem preparados do que em períodos anteriores, e suas taxas de câmbio têm se mantido estáveis. [420]
  2. O dólar está mais forte porque a economia dos EUA está mais forte e as taxas de juros são mais altas, e isso é parte do processo de ajuste global. [474]
    1. Em mercados emergentes, a taxa de câmbio tem um impacto maior na gestão da política monetária devido à maior "passagem" para os preços. [478]
  3. Um grande desafio para muitos mercados emergentes, incluindo a China, é como retomar o crescimento em um ritmo mais saudável. [437]
    1. O crescimento nesses mercados desacelerou mesmo antes da pandemia, e as virtudes da globalização "esgotaram-se". [438]
    2. A relevância das reformas estruturais é muito importante para promover o crescimento independentemente da política fiscal e monetária. [439]

6.3. O Impacto do Brexit e a Flexibilidade do BCE [443]

  1. Andrew Bailey afirma que a inflação no Reino Unido será afetada pelo choque dos preços da energia na Europa, pois é um choque comum geograficamente. [443]
    1. O sistema de teto de preços de energia doméstica no Reino Unido pode adicionar mais persistência à inflação. [447]
    2. É difícil separar os efeitos imediatos do Brexit e da COVID-19, mas ambos estão tendo impacto no comércio e no mercado de trabalho. [451]
  2. Jerome Powell reitera que o Fed não é responsável pelo nível do dólar; essa é a função do Departamento do Tesouro. [467]
    1. O setor externo da economia dos EUA é menor do que em outros países, então a força do dólar tem um impacto desinflacionário apenas marginal. [469]
  3. Christine Lagarde explica que o BCE decidiu usar a flexibilidade no reinvestimento das amortizações do Programa de Compras de Emergência Pandêmica (PEPP) a partir de 1º de julho. [494]
    1. Isso é necessário porque a política monetária única do BCE precisa ser transmitida por um mercado imperfeito, sem união fiscal ou de mercado de capitais. [498]
    2. Se houver interrupções injustificadas na transmissão da política monetária, o BCE precisa agir para garantir sua eficácia. [502]
    3. O BCE também está desenvolvendo uma nova ferramenta para reforçar a transmissão da política monetária, que será considerada em 21 de julho. [505]

7. Lições Aprendidas e o Caminho para a Estabilidade [511]

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Os bancos centrais reconhecem que cometeram erros de previsão, mas estão aprendendo e se adaptando para combater a inflação e promover um crescimento econômico mais resiliente.

7.1. Erros de Previsão e a Necessidade de Adaptação [511]

  1. O apresentador resume que os líderes dos bancos centrais concordam que enfrentar a inflação de frente é a melhor abordagem, apesar dos erros de previsão. [525]
    1. Houve críticas sobre a impressão excessiva de dinheiro (80% do dinheiro circulante nos EUA foi impresso nos últimos dois anos). [528]
    2. Os bancos centrais não podem prever o futuro, mas estão aprendendo com os erros e agindo de forma agressiva para moderar a inflação. [530]
    3. Fatores como petróleo e alimentos estão fora de seu controle, pois não podem afetar a oferta, apenas a demanda. [535]
  2. Augustin Carstens destaca que a recuperação e a expansão foram muito mais fortes e rápidas do que o esperado. [568]
    1. O mercado de trabalho dos EUA está muito forte, com duas vagas de emprego para cada pessoa desempregada, levando a aumentos salariais. [570]
    2. O problema é que os salários estão subindo em níveis inconsistentes com a meta de 2% de inflação, indicando um superaquecimento. [573]
  3. Andrew Bailey expressa preocupação com aumentos salariais muito altos e a formação de preços pelas empresas. [576]
    1. Se todos tentarem superar a inflação importada, isso desencadeará efeitos de segunda ordem. [578]
    2. A política monetária será ajustada para compensar esses efeitos, e quanto mais eles surgirem, maiores terão que ser as taxas de juros. [582]
    3. Não há um número "certo" para aumentos salariais em toda a economia, pois isso depende da produtividade e das condições de mercado. [586]

7.2. O Papel da Política Monetária e a Necessidade de Crescimento Resiliente [590]

  1. Augustin Carstens questiona se houve uma dependência excessiva da política monetária nos últimos 10 anos. [590]
    1. Ele argumenta que houve uma falta de resiliência no crescimento, e as políticas de estabilização foram usadas de forma mais duradoura. [591]
    2. O papel da política fiscal e monetária na estabilização do ciclo de negócios está atingindo seus limites. [593]
    3. As economias não dependem apenas da política monetária, mas também da política fiscal e de outras políticas reais. [596]
    4. O crescimento econômico global tem sido "muito pouco confiável" nos últimos 10 a 20 anos, mesmo antes das pandemias e guerras. [597]
    5. Isso coloca muita pressão sobre as políticas fiscal e monetária, e é preciso trabalhar mais para entender e promover o crescimento de forma mais confiável. [599]
  2. Christine Lagarde enfatiza a importância do investimento em crescimento verde para desenvolver o potencial econômico e garantir a confiabilidade e resiliência. [603]

8. Desafios Futuros e Recomendações para Governos [606]

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Os bancos centrais reconhecem a necessidade de os governos investirem em pessoas e infraestrutura para aumentar a capacidade produtiva da economia, enquanto eles se concentram em restaurar a estabilidade de preços.

8.1. Lições Aprendidas e a Importância do Investimento [606]

  1. Andrew Bailey observa que uma lição dos últimos 10 anos é que a taxa de juros subjacente (estrutural) parece ter diminuído por um longo tempo. [608]
    1. Ele questiona por que o investimento não foi maior, dado o hiato entre a taxa livre de risco e o retorno em um ambiente de tomada de risco. [612]
    2. O investimento é uma parte importante da solução para problemas como baixo investimento e baixa produtividade, especialmente em relação às mudanças climáticas. [615]
  2. Jerome Powell concorda que houve uma dependência excessiva da política monetária. [619]
    1. Ele acredita que há muito foco na gestão da demanda e não o suficiente em coisas que farão a economia crescer no nível máximo sustentável. [620]
    2. Isso não é trabalho do Fed, mas sim dos governos eleitos. [622]
  3. Powell aconselha os representantes eleitos a focar em investir em pessoas e em coisas que aumentarão a capacidade produtiva da economia ao longo do tempo. [626]
    1. O trabalho de um banco central é "manter-se em sua área" e fazer seu trabalho, deixando as grandes questões para os representantes eleitos. [628]

8.2. Recomendações para a Política Fiscal e o Combate à Inflação [629]

  1. Christine Lagarde concorda com o conselho de Powell e acrescenta que, embora a cooperação entre políticas fiscal e monetária tenha sido eficaz durante a pandemia, essa não é mais a mesma situação. [629]
    1. Ela recomenda que os governos invistam em pessoas e iniciativas verdes, de forma direcionada e focada. [631]
    2. A sustentabilidade do espaço fiscal é crucial para todos os países, especialmente na zona do euro. [632]
  2. Augustin Carstens reforça a importância de investir em pessoas, mas de forma mais ampla, para aprimorar as capacidades humanas. [634]
    1. Isso inclui educação, sistemas de saúde (subinvestidos durante a pandemia), digitalização, adaptação às mudanças tecnológicas, mudanças climáticas e incorporação de mulheres na força de trabalho. [636]
    2. O Estado de direito e a ordem também são importantes. [642]
  3. Andrew Bailey enfatiza que a independência dos bancos centrais é mútua, e eles devem respeitar isso. [644]
    1. Os bancos centrais têm um forte interesse em entender por que a taxa de crescimento de tendência diminuiu, mas não devem prescrever o que deve ser feito, pois isso geralmente está fora de sua alçada. [645]
  4. Jerome Powell conclui que o Fed entende a dor que as pessoas estão sentindo com a inflação alta e está comprometido em usar suas ferramentas para reduzi-la para 2%. [651]
    1. O processo provavelmente envolverá alguma dor, mas a pior dor seria falhar em combater a inflação e permitir que ela se torne persistente. [653]
  5. Andrew Bailey acrescenta que essa forma de inflação é ainda mais dolorosa para pessoas de baixa renda, pois se concentra em bens essenciais como energia e alimentos. [655]
    1. É crucial fazer todo o possível para trazer a inflação de volta à meta, pois as consequências de não fazê-lo seriam piores. [659]