1. A Possibilidade de um Corte de Taxa em Julho e a Percepção do FOMC [0]

thumbnail Apesar da crença popular de que um corte de taxa em julho era improvável, as atas da reunião do FOMC indicam que essa possibilidade está de fato sobre a mesa, impulsionada por uma fraqueza econômica observável e temores teóricos de inflação.

1.1. As Atas da Reunião do FOMC e a Reinterpretação dos Cortes de Taxa [0]

  1. A sabedoria convencional mudou, com muitos acreditando que um corte de taxa em julho era impossível após um forte relatório de folha de pagamento [0].
    1. No entanto, as atas da reunião anterior do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) sugerem que um corte de taxa em julho é uma "possibilidade sólida" [2].
    2. As atas do FOMC podem diferir da impressão inicial de uma reunião, incorporando novas informações ou refletindo um consenso diferente, como visto em dezembro de 2018, quando as atas indicaram uma pausa nas taxas após um aumento [3].
  2. É crucial analisar os detalhes das atas do FOMC, pois eles vão além das taxas de juros de curto prazo e afetam outras questões econômicas [14].
  3. Os dados de folha de pagamento não devem mudar a opinião de ninguém sobre um corte de taxa, especialmente porque outros dados do mercado de trabalho, como a pesquisa de estabelecimentos, já eram preocupantes [22].
  4. Os temores de inflação expressos por alguns formuladores de políticas são "inteiramente teóricos", pois não se manifestaram nos índices de preços ao consumidor (IPC) atuais [27].
    1. Mesmo que as tarifas causem um aumento futuro no IPC, isso não significa necessariamente que seja inflacionário [31].
    2. Em contraste, as preocupações com o emprego não são teóricas e já estão ocorrendo [33].
  5. O equilíbrio de riscos não está realmente equilibrado, e não há tanta divisão no FOMC quanto a mídia sugere [34].
    1. As atas indicam que um pequeno número de membros apoiaria um corte de taxa em julho se os dados continuassem a progredir como esperado, e esses dados não são os relatórios de folha de pagamento [38].
  6. O aumento das taxas de juros de longo prazo é uma flutuação temporária e não um sinal de "vigilantes de títulos" ou do fim do mercado de títulos do Tesouro [41].

1.2. A Realidade da Fraqueza Econômica vs. Temores Teóricos de Inflação [53]

  1. A suposta divisão no FOMC é baseada em alguns participantes que veem o risco de inflação elevada como mais proeminente, enquanto outros veem o risco para o mercado de trabalho como mais predominante [54].
    1. No entanto, as atas também observam "alguns sinais de enfraquecimento na atividade real e no mercado de trabalho", e as condições podem enfraquecer ainda mais se a política permanecer restritiva [63].
    2. O que falta nas atas é qualquer sinal de inflação real na atividade econômica, o que reforça que os temores de inflação são "inteiramente teóricos" [67].
  2. Os temores de inflação são baseados em teorias falhas: a ideia de que as tarifas serão repassadas diretamente aos consumidores e que isso levará a uma inflação descontrolada através da teoria das expectativas [69].
    1. Em contraste, o risco real para o emprego é documentado pelo próprio Federal Reserve em seus relatórios, como o Beige Book, que menciona "demissões dispersas" [73].
    2. Embora as demissões não sejam generalizadas, há um "enfraquecimento material" sendo observado, o que contrasta com a natureza teórica da inflação [75].
  3. O presidente do Fed, Jay Powell, embora às vezes alinhado com os teóricos, geralmente se mostra pragmático [79].
  4. O relatório de folha de pagamento de junho, que muitos consideraram forte, não é um "blowout" e não é suficiente para acompanhar o crescimento populacional básico, muito menos para fechar a lacuna de emprego da pandemia [80].
  5. Estatísticas mais recentes da pesquisa de estabelecimentos mostram uma fraqueza significativa no mercado de trabalho [88].
    1. O índice de horas trabalhadas caiu 3,10% em junho [88].
    2. A semana de trabalho média de 34,2 horas é a mais fraca desde a "Depressão Silenciosa" de 2010 [91].
    3. Os ganhos horários médios nominais caíram em junho pela segunda vez em três meses, o que é "incrivelmente raro" e um sinal de fraqueza no emprego [93].
    4. Uma mudança negativa de três meses nos ganhos médios é um evento raro que se correlaciona fortemente com problemas de gastos [103].
  6. A fraqueza nos salários dos trabalhadores é um fator que o FOMC leva a sério e que influenciará as discussões [109].

2. Evidências de Fraqueza Econômica e a Lógica por Trás de um Corte de Taxa de Seguro [114]

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A fraqueza econômica é evidente em vários indicadores, incluindo o mercado de trabalho e os gastos do consumidor, o que, combinado com a diminuição dos temores de inflação, abre caminho para um corte de taxa de seguro pelo FOMC.

2.1. Fraqueza no Mercado de Trabalho e Gastos do Consumidor [114]

  1. A taxa de desemprego, embora pareça boa, esconde uma realidade preocupante [114].
    1. O emprego "caiu absolutamente" nos últimos meses [118].
    2. A taxa de desemprego não disparou porque "três quartos de milhão de americanos abandonaram a força de trabalho" por não conseguirem encontrar trabalho [118].
    3. A taxa de desemprego ajustada, considerando esses abandonos, deveria estar mais próxima de 5% e subindo, em vez de cerca de 4,1% ou 4,2% [122].
  2. A fraqueza na economia e no mercado de trabalho é real e observável, ao contrário dos dados de inflação [124].
  3. Essa fraqueza se estendeu aos gastos do consumidor, o que é um desenvolvimento significativo [127].
    1. Os consumidores não estão gastando como antes, e isso é visível em todos os dados e gráficos [131].
    2. Houve um declínio de cinco meses nos gastos reais de consumo pessoal, um evento raro que ocorreu apenas uma vez na década de 2010 [136].
    3. A extensão do Prime Day da Amazon para quatro dias e os relatos de queda nas vendas são indicadores de uma economia de consumo em mudança [144].
  4. A fraqueza na economia não é teórica, é observável e incomum nos principais indicadores econômicos [149].

2.2. Diminuição dos Temores de Inflação e o Caminho para um Corte de Taxa de Seguro [152]

  1. Os temores de inflação diminuíram, conforme indicado nas atas do FOMC [152].
    1. A incerteza sobre as perspectivas econômicas diminuiu, em parte devido a uma redução no nível esperado de tarifas, que atingiram o pico em abril e depois caíram [155].
    2. Isso significa que as preocupações teóricas com a inflação foram exageradas, e a primeira parte da teoria da inflação (tarifas elevadas) não se materializou [157].
  2. A ausência de risco de inflação abre a porta para um corte de taxa em julho, que o Federal Reserve pode apresentar como um "corte de seguro" [162].
    1. Se o próximo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) for novamente moderado, o FOMC poderá expressar confiança nos preços ao consumidor e, ao mesmo tempo, usar os dados de emprego de junho para justificar um corte de taxa por "abundância de cautela" [165].
    2. Essa estratégia permite que o FOMC minimize os riscos para a economia enquanto enfatiza a confiança na inflação, facilitando um corte de taxa [172].
  3. Não há risco de inflação real; é "tudo teórico" [176].
    1. As tarifas não estão sendo repassadas na cadeia de suprimentos, e a deflação chinesa e os preços ao consumidor estão moderados [178].
    2. Os preços ao consumidor nos últimos três meses corroboram os dados econômicos preocupantes, como os ganhos semanais médios e os gastos fracos [185].
  4. O mercado de swaps indicou que o risco de inflação havia terminado há vários anos, e os spreads de swap ficaram cada vez mais comprimidos [188].
    1. O mercado de swaps, o mercado de títulos e os mercados de taxas indicaram que não há risco de inflação, independentemente da interpretação do FOMC no curto prazo [190].
    2. Essa consistência com a fraqueza econômica observada nos últimos anos será discutida em um webinar da Eurodollar University [192].

3. A Verdadeira Natureza da Divisão do FOMC e a Influência da Experiência Passada [205]

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A suposta divisão no FOMC é menos significativa do que parece, e a experiência do ano passado, quando o Fed se arrependeu de não ter cortado as taxas, está influenciando a probabilidade de um corte de taxa em julho.

3.1. A Divisão do FOMC e a Justificativa para um Corte de Taxa [205]

  1. A mídia exagera a divisão dentro do FOMC; na realidade, não há tanta divisão quanto parece [207].
    1. Há uma boa possibilidade de um corte de taxa em julho, pois o FOMC busca as razões certas para agir, e um "corte de seguro" oferece essa oportunidade [209].
  2. A maioria dos participantes do FOMC avaliou que "alguma redução... seria apropriada" este ano [211].
    1. Eles reconhecem que a pressão inflacionária das tarifas pode ser temporária ou modesta, e que as expectativas de inflação de médio e longo prazo permaneceram ancoradas [212].
    2. Eles também admitem que "algum enfraquecimento da atividade econômica e das condições do mercado de trabalho poderia ocorrer", o que já está acontecendo [214].
    3. Isso significa que o FOMC, mesmo aqueles preocupados com a inflação, reconhece que não é uma grande possibilidade [215].
  3. As atas também revelam que "alguns participantes notaram que, se os dados evoluíssem de acordo com suas projeções... estariam abertos a reconsiderar uma redução na faixa-alvo para a taxa de política já na próxima reunião", que é a de julho [223].
    1. A inclusão dessa parte nas atas é um forte indício de que o FOMC está se preparando para um corte de taxa, especialmente se o IPC não apresentar surpresas [232].
    2. Embora seja apenas "um casal de participantes", os membros mais influentes do FOMC provavelmente estão entre eles, e suas opiniões podem mover o comitê [228].

3.2. A Influência da Experiência do Ano Passado [234]

  1. A experiência do ano passado é outra razão pela qual um corte de taxa em julho é provável [234].
    1. Em julho do ano passado, o FOMC não cortou as taxas e se mostrou relativamente hawkish, apesar da incerteza e da fraqueza observável no mercado de trabalho [235].
    2. Eles se arrependeram dessa decisão em poucos dias, e as atas da reunião de agosto revelaram que teriam votado por um corte de taxa se estivesse disponível [251].
    3. A experiência do ano passado está "fresca em suas mentes" este ano, o que explica por que alguns membros já apoiam um corte de taxa na reunião de julho [256].
  2. O relatório de folha de pagamento de junho não mudará a opinião deles, pois os detalhes mostraram "graus incomuns de fraqueza" que o FOMC considera importantes [257].
  3. O FOMC está "uma reunião à frente" de onde estavam no ano passado, pois querem evitar repetir a mesma experiência [259].

3.3. A Realidade dos Mercados e a Influência do FOMC [261]

  1. O FOMC não está tão dividido quanto parece, e o equilíbrio de riscos não é o que parece; é "teoria versus realidade" [261].
  2. A reunião de julho é "ao vivo", o que significa que um corte de taxa é uma possibilidade real [264].
  3. As taxas de juros de longo prazo flutuam devido à incerteza sobre o momento dos futuros cortes de taxas de curto prazo, e não por causa de "vigilantes de títulos" ou temores de dívida do Tesouro [265].
    1. O mercado está tentando precificar a incerteza de "entrar na mente de burocratas de terno vazio" [267].
    2. A mídia frequentemente interpreta essas flutuações como "vigilantismo de títulos", mas isso "nunca é verdade" [272].
    3. As flutuações são sobre os fundamentos que entram na precificação, não sobre o medo da dívida [279].
  4. O mercado de swaps indicou que o destino das taxas de juros nunca esteve em dúvida nos últimos anos, com expectativas de que as taxas permaneceriam baixas por um longo tempo [284].
    1. Tudo o que aconteceu se alinhou com essa expectativa, incluindo as ações do FOMC, mesmo que não seja em linha reta [287].
  5. As atas do FOMC de julho provavelmente foram destinadas a enviar a mensagem de que há uma "possibilidade muito decente" de um corte de taxa em julho, impulsionado pela economia e não pelo último relatório de folha de pagamento [289].
    1. A fraqueza econômica é real, observável e incomum, enquanto a ideia de inflação é "inteiramente teórica, com zero evidências" [291].
    2. Isso abre a porta para um "corte de seguro", que o Fed gostaria de fazer, considerando a experiência do ano passado [296].
  6. O Federal Reserve Bank de Nova York até emitiu uma declaração reconhecendo a possibilidade de uma política de taxa de juros zero no médio prazo, indicando que o próprio Fed percebe que algo está acontecendo [302].